As ruinas de baalbek

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As ruinas de baalbek

Mensagem  ANNUNAKI em Ter Jun 08, 2010 11:26 am



Baalbek, uma pedra no sapato






O sítio
arqueológico de Baalbek fica a 70 quilômetros a leste de Beirute, no Líbano. E,
não fosse por algumas
pedras de tamanho gigantesco seria somente mais um lugar
esquecido no Líbano. Por causa delas, muita coisa foi escrita, deduzida e
viajada na maionese por muita gente. Mas continuam até hoje inexplicáveis.



Baalbek se constitui basicamente de um terraço com cerca de 750 metros de cada
lado. Sobre esse imenso terraço acredita-se que havia um templo para o deus
Baal e sua companheira, Astarte. Posteriormente, sobre as ruínas desses templos,
seria construído um templo romano para o deus Júpiter, cujas ruínas existem até
hoje.



Esse terraço, ou plataforma sob a qual os templos
foram construídos é que vem dando dor de cabeça a muito tempo. Porque
basicamente as pedras que o compõe são grandes e pesadas demais para terem sido
movidas por povos que viveram cerca de 6.000 a.C., que acreditam alguns ser a
idade das ruínas (os céticos acham que são do período romano, como veremos mais
tarde).



Algumas dessas pedras que compõe a magnífica
plataforma tem 24 metros de comprimento por 4,5 metros de espessura, pesando
entre 750 e 1500 toneladas, dependo da fonte que você consulta (os esotéricos
de plantão, é claro, preferem o segundo valor, como veremos).



Mas mesmo que pesem “somente” 750 toneladas cada pedra
das que compõe a plataforma de Baalbek não conseguiria ser movida facilmente
hoje em dia nem pelo mais poderoso guindaste ou grua. O fato de uma pedra ainda
maior, com cerca de 1000 a 2000 toneladas estar repousando placidamente numa
pedreira a 800 metros da plataforma de Baalbek não ajuda muito também. Como se
explica que pedras assim tão colossais tenham sido colocadas em perfeita ordem
? Como elas foram construídas ? Como foram movidas ? Com qual propósito ? Aí
que está. Ninguém sabe. É aí que começam os problemas e muita gente viaja na
maionese sobre como e para que foi construída Baalbek.



Charles Berlitz e um cientista soviético chamado
dr. Agrest sugerem que Baalbek tenha sido uma pista de pouso para naves
extraterrestres.



O escritor e estudioso da Suméria Zecharia Sitchin acredita que Baalbek era um centro
de lançamento de foguetes, tipo Cabo Canaveral.



David Hatcher Childress, por sua vez, diz que Baalbek era
uma base do Império Osiriano, que foi contemporâneo de Atlântida e da Lemúria,
antes que todos fossem destruídos numa guerra entre eles e que seriam os
ancestrais dos egípcios E foi uma guerra nuclear, de acordo com ele.
Qualquer dia escrevo um post sobre esse tema.



Essas três teorias podem parecer malucas para a maior
parte de nós, mas alguns acreditam piamente que existiram civilizações muito
avançadas num passado remoto e que de certa forma nós hoje somos “descendentes”
delas. Outros vão mais longe e acreditam que essas civilizações avançadas
seriam de extraterrestres que povoaram a Terra. E Baalbek é apresentada como
prova dessas civilizações perdidas, assim como as pirâmides, a
pilha de Bagdá e os relevos de Dendera, só para citar alguns poucos
exemplos.



Para complicar mais ainda a situação, nós temos a
Bíblia. O Livro Sagrado fala de uma raça de gigantes que viviam em Israel
quando os judeus chegaram fugidos do Egito. Só isso já basta para que alguns
especulem sobre a existência de uma raça de gigantes que teria povoado aquela
região e construído Baalbek. Resumindo: tiram-se alguns versículos do contexto,
interpretam a coisa ao pé da letra e a bagunça só aumenta.



Mas nem o ceticismo cientifico dos tempos modernos
pode dar uma explicação satisfatória. Os céticos geralmente citam uma
investigação feita por cientistas alemães em 1904-1905, a primeira a escavar
sistematicamente o local. E
jogam na cara dos
crédulos
a verdade
inquebrantável: somente as “bordas” da imensa plataforma foram feitas de pedras
gigantes. Todo o resto foi construído com escombros e tijolos normais.
Inclusive os alicerces dos templos se apóiam na pedra bruta, porque seu peso
não seria suportado pela plataforma. As pedras gigantes seriam somente um muro
de contenção. E a plataforma é da época romana, não de milhares de anos antes
de Cristo. Touché !



Mas, que me desculpem os céticos, essa explicação também
não me satisfaz. Não importa se toda a plataforma ou somente o muro externo
dela foi feito com pedras gigantes. Alguém construiu aquelas pedras, alguém as
moveu. Mesmo que elas pesem “somente” 750 toneladas ou até menos (os céticos
dão uma estimativa de 600 toneladas por pedra) ainda assim seria um esforço
considerável move-las, mesmo com a pedreira tão perto. Concordo com os céticos
quando eles dizem que os romanos teriam condições técnicas de faze-lo, mas me
pergunto de novo: para que ? Para que erguer templos a Júpiter (esse o maior
templo dedicado ao deus que se conhece até hoje), Baco, Hermes e Vênus naquele
local, longe de grandes cidades ? Resumindo: para que tanto trabalho justamente
naquele local ? Os achados arqueológicos apontam indubitavelmente para uma
origem romana de Baalbek, mas e se o uso que os romanos fizeram da plataforma
tiver apagado os registros mais antigos ?








O famoso terraço de Baalbek no vale de Beqa’a, Líbano, é uma das
cartas fortes dos divulgadores da hipótese de "antigos astronautas",
segundo a qual em um passado longínquo, habitantes de outros mundos visitaram a
Terra. Esses navegantes dos espaços interestelares teriam deixado como prova de
sua passagem mitos dispersos e construções inexplicáveis.

A Lenda



Supostamente, o Grande Terraço de Baalbek é uma dessas construções que a
arqueologia moderna, com todos os recursos de que dispõe, é incapaz de
explicar. Ninguém sabe quem o edificou, nem quando, nem como. Um conjunto de
templos da época romana foi construído entre os séculos I e III d.C. sobre
ruínas gregas previas, e os edifícios gregos sobre outras ainda anteriores. O
Grande Terraço é uma plataforma construída com as maiores pedras talhadas
conhecidas, blocos megalíticos que foram cortados com grande precisão e
colocados para formar fundamentos de 460.000 metros quadrados de superfície.
Nesta plataforma se encontram os três colossais blocos conhecidos como o
Trilithon, cada um dos quais mede quase 20 metros de comprimento, com uma
altura de aproximadamente 4 metros e uma largura de 3. O peso de cada um desses
monolitos monstruosos foi estimado entre mil e duas mil toneladas; são de
granito vermelho, e foram extraídos da pedreira a mais de um quilômetro de
distância, vale abaixo em relação à construção. Não existe nenhum mecanismo na
atualidade nem nenhuma tecnologia moderna capaz de mover seu grande peso e
colocá-o precisamente nesse lugar. É ainda mais extraordinário o fato de que na
pedreira exista um bloco ainda maior, conhecido pelos árabes como Hajar el Gouble,
ou Pedra do Sul.

Naturalmente, com respeito a tudo isto, a ciência oficial permanece em um
silêncio embaraçoso.





Vista da "Pedra do Sul" ou
"Hajar o Gouble". Este monstruoso megalito de mais de mil toneladas
de peso não chegou a sair da pedreira em que foi talhado.

Em 1851, o estudioso francês Louis Felicien de Saulce, que mais tarde
realizaria uma das primeiras escavações sistemáticas de Jerusalém, permaneceu
em Baalbek dois dias, de 16 a 18 de maio, e se convenceu de que a fundação do
Grande Terraço eram os restos de um templo pré-romano; e registrou esta opinião
em seu livro “Voyage autour de la Mer Morte” (“Viagem ao redor do Mar Morto”)
que data de 1864.

Contudo, a hipótese de origem extraterrestre do terraço de Baalbek não
tardaria em chegar. O primeiro a expô-la foi o físico bielorrusso Matest M.
Agrest, em 1959. Agrest é considerado como o primeiro cientista a avançar a
hipótese de que a Terra foi visitada em tempos pré-históricos por inteligências
vindas do espaço exterior; seu famoso artigo “Astronautas da Antigüidade”
(Kosmonaute Drevnoste) foi publicado em 1961. Em sua hipótese, Agrest dá uma
grande importância à história bíblica de Enoque, e à obscura referência do
Gênesis que fala dos Nefilin. Ele propôs que as pedras são prova dessas visitas
extraterrestres e que o que realmente ocorreu em Sodoma e Gomorra foi uma
explosão nuclear. Para Agrest, o Grande Terraço teria sido uma pista de
aterrissagem para os cosmonautas da antiguidade. Curiosamente, a única fonte de
informação de Agrest com respeito a Baalbek parece ter sido um indefinido livro
publicado em Paris em 1898.









A hipótese de Agrest em relação a Baalbek em particular, e aos “Antigos
Astronautas” em geral, fez escola. Já vimos no início uma citação tomada de um
dos livros de Erich von Daniken; Zacharia Sitchin também segue esta mesma
linha. As inumeráveis toneladas dos blocos de Baalbek parecem ser tão
fascinantes que existem autores que não resistem mencioná-as, mesmo que não
tenham nada a ver com o tema de que estão tratando; por exemplo, Charles
Berlitz, que no meio de um catálogo de maravilhas que aparece em sua magna obra
“O Triângulo das Bermudas” menciona “as enormes pedras das fundações do templo
de Júpiter, em Baalbek, Síria, colocadas ali muito antes da construção do
templo e uma das quais pesa 2000 toneladas”. Nós sabemos que na verdade Baalbek
não se situa na Síria, mas no Líbano, mas deixemos de lado este pequeno lapso.

É possível notar que as especulações que atribuem o Terraço de Baalbek à
ação dos “Antigos Astronautas” partem de dois pressupostos básicos: que a
plataforma foi construída em um passado muito remoto, muito antes dos templos
que o coroam, e que o peso dos grandes blocos supera a capacidade de transporte
da tecnologia humana da época em que se levantou a plataforma (e mesmo dos dias
de hoje!). Mas até que ponto estas suposições são corretas? Se seguirmos ao pé
da letra a lenda, tal e como se repete tantas vezes, só podemos concluir que as
ruínas de Baalbek são simplesmente impossíveis e inexplicáveis, um mistério sem
solução humana. No entanto existem alguns fatos que não estão incluídos na
lenda; e é nestas curiosas omissões que reside a chave do “mistério”. Vejamos
quais são esses fatos.

O local



Baalbek (ou Balbek) se encontra no leste do Líbano, no famoso vale de
Beqa’a, entre os rios Litani e Asi (o antigo Orontes), sobre a vertente
ocidental do Antilíbano. Localiza-se no cruzamento de duas rotas comerciais de
importância histórica, uma entre o Mediterrâneo e a Síria Interior, e a outra
entre o norte da Síria e o Norte da palestina. Está aproximadamente a 86
quilômetros de Beirute, e 56 de Damasco. Todavia hoje é um importante centro administrativo e econômico
do vale de Beqa’a. Encontra-se conectado por via férrea com Beirute, Damasco e
Alepo.

As origens de Baalbek são obscuras. Foram realizadas tentativas tanto
conjeturais como inconclusivas de identificá-la com Baal Gad (Josué 11–17;
13–5) ou Biqueat–Aven (Amos, 1–5). Por sua parte, Velikovski tentou
identificá-la com a Dan bíblica. Foi sugerido também que em sua origem foi uma
cidade fenícia, centro do culto ao deus babilônico Baal–Hadad, e seu nome
significaria “Cidade de Baal”; posteriormente, os gregos assimilariam esta
deidade a Helios, daí que passara a chamar-se Heliópolis. Contudo, não existe
nenhuma evidência arqueológica desse suposto assentamento fenício inicial, e
dada a ausência de referências nas fontes históricas de um assentamento semelhante,
o mais provável é que este tenha sido um de muita pouca importância ou, muito
mais provavelmente, inexistente. O nome “Baalbek”, contra o que poderia
parecer, não denota uma incomensurável antiguidade. Nem foi usado durante a
época romana, nem existe evidencia de que tenha sido utilizado alguma vez
anteriormente a ela. Não parece muito provável que o local tenha começado a ser
chamado “Baalbek” em honra a um Baal qualquer em tempos posteriores, pois então
a região já havia sido cristianizada, para ser mais tarde submetida ao
Islamismo
. É quase certo que Baal não teve nada a ver com o nome da cidade;
posteriormente à época romana o nome do lugar foi “Bal Bekaa”, que significa
simplesmente “vale de Bekaa” (ou vale de Beqa’a), nome que conservou até o século
XIX.

A região caiu em poder dos gregos com as conquistas de Alexandre, no ano 332 A.C.
Depois da morte dele, em 323, ficou sob controle dos Lágidas do Egito, e se
supõe que é nesta época que a cidade passaria a chamar-se Heliópolis,
possivelmente em honra a sua homônima egípcia. No entanto, é curioso que desta
Heliópolis helenística no vale de Beqa’a tampouco existem restos seguros. Mais
tarde, no ano 200 A.C., o lugar foi conquistado pelos Seleucidas, em cujas mãos
permaneceu até a queda da dinastia em 64 A.C., quando passou ao controle
romano.

As primeiras referências certas acerca da cidade datam precisamente do
período posterior à conquista romana. Se converteu em colônia sob o reinado de
Augusto, e teve especial importância na época dos Antoninos (século II D.C.).
Baalbek caiu em poder dos árabes no ano 637 D.C. A cidade foi saqueada em
diversas oportunidades, e em 1759 devastada por um terremoto. Depois da I Guerra
Mundial as autoridades francesas a incluíram em seu mandato do Líbano. O
interesse europeu pelas ruínas de Baalbek remonta ao século XVI, mas não foi
antes de 1898 – 1905 que as expedições alemãs escavaram os monumentais templos
romanos.





Os partidários da hipótese dos “antigos astronautas” insinuam que as ruínas
romanas de Baalbek são insignificantes em comparação com a massiva plataforma
que as suporta. Não é verdade. A acrópoles de Baalbek é o maior e melhor
conservado exemplo de arquitetura romana que chegou até nós, e seu Templo de
Júpiter o maior de todos os conhecidos. Em outras palavras, uma obra
autenticamente monumental. Este era um edifício de estilo Corintio, com 10
colunas em cada frente e 19 em cada lado, cada uma de 18,9 metros de altura e 2,3
de diâmetro (destas estão de pé atualmente apenas seis). As 84 colunas do
pórtico estavam talhadas em granito rosa procedente nada menos que de Assuan
(no Alto Egito). Ao que parece, este templo era dedicado a três deidades: o
deus do trono sírio Hadad, assimilado como Júpiter, a deusa síria da natureza
Atagartis, assimilada como Vênus, e um jovem deus, Aliean, provavelmente um
espírito da vegetação, igualado pelos romanos a Mercúrio.

Acredita-se que o Templo de Júpiter foi concluído no ano 60 D.C. Dentro do
mesmo complexo se encontram também o Templo de Baco, construído no ano 150 D.C.
e que se acha muito bem preservado, com 8 colunas em cada frente e 15 em cada
flanco, o Templo circular de Vênus, e os restos de um Templo dedicado a Hermes.
De qualquer ponto de vista, foi um projeto grandioso, no qual que se trabalhou
durante vários séculos, e que ao final não foi concluído.

Inexplicáveis?



Nos anos 1904 – 1905 uma expedição alemã realizou a primeira escavação
sistemática nas ruínas de Baalbek. Esta investigação é meio século posterior a
Louis Felicien de Saulce, e posterior também à fonte original de Matest Agrest,
mas muito anterior à aparição da hipótese dos “Antigos Astronautas”. E,
contudo, os proponentes desta a ignoram. Os resultados foram publicados em três
volumes entre 1921 e 1925, com Theodor Wiegand como editor (Wiegand, Th. (ed.) Baalbek. Ergebnisse der
Ausgrabungen und Untersuchungen in den Jahren 1898 bis 1905 vols I-III, Berlin
and Leipzig: Walter de Grueter, 1921-1925).

Os arqueólogos alemães escavaram através da plataforma e realizaram
descobertas muito interessantes. O aparentemente sólido terraço está construído
de sólidos megalitos apenas em seus muros externos. No interior, sob o fórum,
encontraram um labirinto de câmaras cheias de escombros compactados, com
paredes de tijolo na típica forma romana de panal; debaixo de tudo isto, um
leito de rocha sólida. Em resumo, só alvenaria e restos romanos. Os alicerces
dos templos estão fundamentados no leito de rochas para poder suportar seu
peso, já que a plataforma simplesmente afundaria se se apoiassem sobre ela. As
paredes megalíticas são em realidade um muro de contenção em declive.

Do suposto assentamento fenício prévio não se encontraram resquícios,
tampouco de nenhum outro de uma incomensurável Antigüidade. Muito menos restos
de equipamentos laser, reatores de fusão nuclear ou motores de plasma.

Um dos recursos mais efetivos e impressionantes de que se serviram os
engenheiros e arquitetos romanos foi a criação de massivas plataformas em
terraços para suportar grandes edifícios ou grupos deles. Esta idéia veio da Grécia, mas foram os romanos que
chegaram a desenvolver todas as vantagens estruturais de construir massivas
subestruturas para explorar o potencial funcional de lugares geograficamente
acidentados. Exemplos destes terraços são encontrados em Tiddis (África do
Norte), Terracina (Itália), Praeneste (Palestina), e muitos outros lugares.


A conclusão, por estranho que pareça, é que, de acordo a os dados
disponíveis, o local é de origem romana. Nem fenícia, nem extraterrestre. E em
qualquer caso, como pista de aterrissagem teria resultado francamente
deficiente, pois qualquer nave espacial de peso regular teria afundado o
pavimento.

E os blocos do famoso Trilithon? Como é possível que tenham sido movidos
desde a pedreira até sua posição final na plataforma, pelos romanos ou por quem
quer que fosse?

Aqui são necessárias algumas correções. A primeira: os blocos não são tão
pesados como afirmam os divulgadores da hipótese dos “Antigos Astronautas”. Já
vimos que von Daeniken lhes atribui “quase 2000 toneladas” e “20 metros de
lado”; este último faz pensar de imediato em um monstruoso cubo, mas em
realidade se trata de “aproximadamente 20 metros de comprimento”, já que cada
megalito tem a forma de paralelogramo. Berlitz segue von Daeniken no disparate,
e fala também de “2000 toneladas”. Dispostos a fantasiar, não falta quem lhes
atribua “milhões de toneladas” (!!!!!!!). Tudo isto faz suspeitar que existe
muita gente que fala do tema sem se preocupar em fazer algumas comprovações
elementares, para as quais não é necessário viajar a Baalbek nem escavar na plataforma.
Tudo o que se requere é conhecer a densidade do granito, as dimensões dos
blocos e uma modesta calculadora de mão.

A densidade do granito, dependendo de seu tipo, varia entre 2.63 e 2.75 g/cm3.
Com respeito às dimensões dos blocos, não há duas fontes que dêem as mesmas
medidas; contudo todas coincidem em que nenhuma chega aos 20 metros de
comprimento. Ao que parece, o maior dos megalitos do Trilithon mede 19,80 por 4
por 3,6 metros. Isto daria um volume de 285,12 m3. Assumindo que a densidade da
pedra é de 2,75 g/cm3, o peso do bloco seria de 784,08 toneladas. Menos de 800
toneladas e muito longe das 2000 que Daeniken e Berlitz citam tão alegremente.
Por suposto, neste cálculo caseiro podem ter se filtrado vários erros: as
pedras podem ter dimensões reais um pouco maiores (ou menores!) que as
mencionadas; a densidade do granito pode ser menor que 2,75 g/cm3 (usei
intencionalmente o maior valor que encontrei e não o menor); na conversão de
pés a metros sempre se perdem alguns decimais. De fato, existem estimativas
ainda mais moderadas e provavelmente mais precisas, em torno de 600 toneladas,
e em todo caso, sempre abaixo de 800.

E quanto à pedra mais pesada, a chamada “Pedra do Sul” (outras fontes lhe
dão o nome de “Pedra da Mulher Grávida”), esta sim pesa mais de 1000 toneladas.
Mede nada menos que 21,31 metros de comprimento, por 4,08 por 4,72, para um
volume de pouco mais de 410 m3. Diversas estimativas lhe atribuem um peso entre
1050 e 1200 toneladas (meu cá
lculo caseiro dá aproximadamente 1127 toneladas). Embora estejamos ainda
estejamos muito longe das “2000 toneladas”, de todas formas resulta
impressionante. Salvo por um detalhe, que sempre se menciona de passagem e sem
lhe dar maior importância: esta fenomenal pedra não chegou a sair da pedreira,
e portanto de nenhum modo se pode fazer um mistério de seu transporte, já que
simplesmente não foi transportada a nenhum lugar. Por que os engenheiros
romanos deixaram este monstro na pedreira? A este respeito, e à falta de
documentos, só se pode especular: quem sabe cometerem um erro de cálculo e se
encontraram com a situação de haver talhado um bloco demasiado grande e que
logo lhes foi impossível de mover, ou talvez modificaram o projeto da obra, ou…
Em todo caso, a mesma pergunta teria que ser feita aos que atribuem o bloco à
tecnologia alienígena.

Sigamos com as correções. A pedreira de onde se extraíram os famosos blocos
não se encontra “vale abaixo” em relação à construção; se encontra entre 10 e
15 metros acima dela. A pedreira está a 1160 metros de altura e o templo a
1145. Sem dúvida, sempre resultará mais fácil transportar uma grande massa
ladeira abaixo que acima. Por outro lado, a pedreira se encontra a apenas 600
metros da plataforma, embora seja preciso desviar de uma valeta, a distância a
percorrer aumenta até em torno de 1100 metros.

Mesmo assim, poderia parecer que embora um tanto minimizado, o mistério
ainda persiste. Teriam os romanos a capacidade técnica para movimentar blocos
de semelhante peso, mesmo que em uma distancia relativamente curta?




Os engenheiros romanos foram peritos na movimentação de blocos pétreos de
grande tamanho, inclusive em condições muito mais difíceis que as que poderiam
haver em Baalbek, onde a pedreira se encontrava relativamente próxima. Durante
a época imperial, muitos obeliscos egípcios foram transportados desde seus
locais de origem até a península itálica; pelo menos uma dúzia deles foram
reerigidos na própria Roma. Entre eles está o que atualmente se encontra na
praça de São João de Letrán, erigido inicialmente por Tutmosis III em Karnak,
no século XV A.C. Sua altura é de 32 metros, os lados da base medem 2,70 e os
da cúspide 1,88.

Durante o reinado de Teodosio I (379–395), outro obelisco procedente de
Karnak foi colocado na “spina” do hipódromo de Constantinopla. Os detalhes a
respeito se conhecem através da obra do historiador bizantino Marcelino Comes
(século VI D.C.) e pelas inscrições na base de mármore de seis metros de altura
sobre a qual foi erigido. Este obelisco mede 19,59 metros de altura. Os relevos
da face norte da base mostram cenas da elevação do monumento, sob a vigilância
atenta do Imperador. Estes relevos são um valioso registro das técnicas da
época.

A base contém duas inscrições, uma grega e outra latina. Esta é a tradução
aproximada da inscrição grega “Foi o destino que apenas o Imperador Teodósio
tivera o valor de erigir esta pedra de quatro lados cujo peso a havia mantido
na terra por muitos anos. Para realizar esta tarefa ele buscou a ajuda de
Proclo e a pedra tardou 32 dias para levantar-se ao lugar”.

No texto latino palavras são colocadas na boca do mesmo obelisco: “A
principio me opus. Mas me ordenaram submeter-me a meu amo supremo e levar a
grinalda da vitória que ele havia ganhado sobre os tiranos. Todos obedecem a
Teodósio e sua descendência, que perdurará no futuro. Desta maneira ele
triunfou sobre mim também, e sob a direção de Proclo me obrigaram a levantar-me
em três vezes dez dias.”

À margem das adulações a Teodosio, existem outros dados curiosos. O obelisco
teve que ser trasladado uma distancia de ao redor de três quilômetros em subida
desde o nível do mar até seu local final no hipódromo, enquanto que em Baalbek
a distancia foi bastante menor e vale abaixo. Para realizar o trabalho, os
romanos não dependiam da pura força bruta de um exército de escravos puxando em
uníssono a uma ordem do capataz, e sim empregavam máquinas projetadas. Uma das
novidades tecnológicas introduzidas pelos engenheiros romanos foi o amplo uso
do movimento rotatório; por exemplo, o uso de gruas potenciadas por norias.
Para o traslado de blocos de grande peso, utilizavam malacates, nos quais o
movimento rotatório se transformava em tração.

O transporte do obelisco de Teodosio se completou ao que parece com doze
malacates, manejados cada um por vinte e quatro homens.

Os malacates eram colocados em postes enterrados no solo aos lados da via de
transporte, em duas fileiras paralelas, a ambos lados do bloco a movimentar;
cada malacate se situava a cinco metros do seguinte. Cada um dos pares de
malacates de cada lado tinham um ângulo diferente para halar o peso. Quando o
ângulo de dois dos malacates era impraticável, os malacates eram desmontados e
se colocavam mais adiante. Por suposto, o transporte era lento (foi estimado em
uns 30 metros diários), pela necessidade de desmontar e voltar a montar as
máquinas a cada poucos metros para aproveitar melhor a força. Entretanto, em
vista de que em Baalbek se moveram vários blocos, é possível que os malacates
se tenham armado em forma de becos sem chegar a desmontá-los, para utilizá-los
com os blocos sucessivos. O traslado de cada bloco teria sido assim um pouco mais rápido.
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